segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Novo visual, uma mudança litúrgica?

Novo visual, uma mudança litúrgica?
Uma mudança no penteado, novas cores em um terno tradicional, lentes verdes em lugar de óculos...Vaidade? Não necessariamente, mas mudança litúrgica e pastoral. Alguns pregadores tem aderido a uma novo visual, que reacende em páginas da internet, o eterno debate sobre usos e costumes. Mas esse novo visual é somente questão de usos e costumes? A resposta é não. Essa transformação estética é a clara demonstração da mudança na liturgia: do culto cristocêntrico para o culto antropocêntrico.
O pregador com uma estética exagerada, certamente será o centro das atenções no culto. O papel de qualquer pregador é apresentar a Cristo, como o único digno de adoração. A palavra, o louvor a Cristo e a oração perdem espaço para a nova sensação do momento. Um terno vermelho chama mais atenção do que o papel da adoração no culto.
Os modismos como cair no espírito, angelomania, nova unção etc; fazem com que o pregador se torne uma sensação no culto, a atenção sempre será do super-pregador, capaz de mandar no céu, no inferno e na terra, com os super-poderes. O que parece é que esses propagadores do triunfalismo assistiam muito desenho animado!
O exorcismo em muitos púlpitos, a luta com os demônios, o diálogo com Satanás e a frases de efeito como “o diabo debaixo dos meus pés”; são demostrações para a glória do Senhor ou para a glória do pregador? Isso mostra o poder de Deus ou o “poder” do super-”apostolo”? Neste caso, quem é o centro do culto: Cristo, o homem ou o diabo?
O “louvor” tornou-se uma imitação de gestos, manias, coreografias de um entretenimento secular. O cantor é mais importante que o objeto do louvor. As letras mostram, também, a mudança do culto cristocêntrico para antropocêntrico. Os hinos de vitória, valorizam mais o homem do que a soberania divina; os hinos de fogo, valorizam mais poder de Deus do que o Deus de todo poder.
O “receba” é mais enfatizado do que o “entregue”. O ato de oferecer a vida em consagração é substituída pelo receba poder. O receber poder é bíblico e necessário, mas esse poder é para servir no Reino de Deus e não para aumento de “status espiritual”.
A palavra do Senhor tem sido substituída por mensagens de auto-ajuda, o estudo bíblico é trocado pelo louvorzão, a genuína vigília de oração é trocada pelo monte místico ou por uma balada gospel. O homem se tornou o centro na igreja, que está cada vez mais humanista.
O problema na extravagância no visual não é a questão chave, mas a mudança do centro do culto. Há igrejas em que o púlpito, ou melhor, o palco tem uma luz especial para ressaltar o iluminado. Em várias igrejas, é comum ver cartazes do tipo: “Pregador Fulano de Tal, conferencista internacional, pregador avivalista, onde pede e Deus concede” ou “Venha, traga coxos, mancos, surdos, aleijados, que o Ungido de Deus vai orar por você”. Os incautos e desavisados enchem as galerias dessas igrejas, ou melhor, hospitais ou salão de beleza, pois alguns vão receber dentes de ouro.
Diante desse quadro lamentável, o que fazer? A única solução para a Igreja é o ensino sistemático, ordenado e constante na igreja, alimentado por oração, em uma verdadeira espiritualidade. Há esperança! O resgate do culto cristocêntrico é o caminho para preservar a igreja dos enganos pós-modernos. Que o centro do culto não seja o poder, o miticismo, o novo visual, os modismos doutrinários, a “intelectualidade”, a eloquência, o ritmo da música, a auto ajuda, o triunfalismo etc, mas que seja Cristo e a teologia da cruz, “que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos”(1Co 1.23).

Escreva um post e aponte as soluções para o quadro lamentável em que a igreja brasileira vive!

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