Novo visual, uma mudança litúrgica?
Uma mudança no penteado, novas cores em um terno tradicional, lentes verdes em lugar de óculos...Vaidade? Não necessariamente, mas mudança litúrgica e pastoral. Alguns pregadores tem aderido a uma novo visual, que reacende em páginas da internet, o eterno debate sobre usos e costumes. Mas esse novo visual é somente questão de usos e costumes? A resposta é não. Essa transformação estética é a clara demonstração da mudança na liturgia: do culto cristocêntrico para o culto antropocêntrico.
O pregador com uma estética exagerada, certamente será o centro das atenções no culto. O papel de qualquer pregador é apresentar a Cristo, como o único digno de adoração. A palavra, o louvor a Cristo e a oração perdem espaço para a nova sensação do momento. Um terno vermelho chama mais atenção do que o papel da adoração no culto.
Os modismos como cair no espírito, angelomania, nova unção etc; fazem com que o pregador se torne uma sensação no culto, a atenção sempre será do super-pregador, capaz de mandar no céu, no inferno e na terra, com os super-poderes. O que parece é que esses propagadores do triunfalismo assistiam muito desenho animado!
O exorcismo em muitos púlpitos, a luta com os demônios, o diálogo com Satanás e a frases de efeito como “o diabo debaixo dos meus pés”; são demostrações para a glória do Senhor ou para a glória do pregador? Isso mostra o poder de Deus ou o “poder” do super-”apostolo”? Neste caso, quem é o centro do culto: Cristo, o homem ou o diabo?
O “louvor” tornou-se uma imitação de gestos, manias, coreografias de um entretenimento secular. O cantor é mais importante que o objeto do louvor. As letras mostram, também, a mudança do culto cristocêntrico para antropocêntrico. Os hinos de vitória, valorizam mais o homem do que a soberania divina; os hinos de fogo, valorizam mais poder de Deus do que o Deus de todo poder.
O “receba” é mais enfatizado do que o “entregue”. O ato de oferecer a vida em consagração é substituída pelo receba poder. O receber poder é bíblico e necessário, mas esse poder é para servir no Reino de Deus e não para aumento de “status espiritual”.
A palavra do Senhor tem sido substituída por mensagens de auto-ajuda, o estudo bíblico é trocado pelo louvorzão, a genuína vigília de oração é trocada pelo monte místico ou por uma balada gospel. O homem se tornou o centro na igreja, que está cada vez mais humanista.
O problema na extravagância no visual não é a questão chave, mas a mudança do centro do culto. Há igrejas em que o púlpito, ou melhor, o palco tem uma luz especial para ressaltar o iluminado. Em várias igrejas, é comum ver cartazes do tipo: “Pregador Fulano de Tal, conferencista internacional, pregador avivalista, onde pede e Deus concede” ou “Venha, traga coxos, mancos, surdos, aleijados, que o Ungido de Deus vai orar por você”. Os incautos e desavisados enchem as galerias dessas igrejas, ou melhor, hospitais ou salão de beleza, pois alguns vão receber dentes de ouro.
Diante desse quadro lamentável, o que fazer? A única solução para a Igreja é o ensino sistemático, ordenado e constante na igreja, alimentado por oração, em uma verdadeira espiritualidade. Há esperança! O resgate do culto cristocêntrico é o caminho para preservar a igreja dos enganos pós-modernos. Que o centro do culto não seja o poder, o miticismo, o novo visual, os modismos doutrinários, a “intelectualidade”, a eloquência, o ritmo da música, a auto ajuda, o triunfalismo etc, mas que seja Cristo e a teologia da cruz, “que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos”(1Co 1.23).
Escreva um post e aponte as soluções para o quadro lamentável em que a igreja brasileira vive!
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Novo visual, uma mudança litúrgica?
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